O Trabalho em lojas em que você deve atender o público, mas a visitação desse ser (muitas vezes escroto, acho que sempre escroto!) é quase insólita, te faz perceber que logo estará desempregado novamente e que tem horas, digo, milênios de bobeira (já que ninguém entra na loja), e é nesta situação que me encontro, devaneios, muita xingação na internet e puro tédio regram as minhas tardes, (aliás é por isso que ressuscitei esse blog, maldito ennui!), passo horas atrás de adrenalina, alguns vídeos de proezas mal sucedidas me fazem rir (ver os outros se fodendo é hilário quando não sádico) mas isso já não tem o mesmo efeito de antigamente, em que eu ria até perceber que tinha um cliente me olhando com um misto de espanto e raiva por eu tê-lo ignorado.
Porém numa tarde que aparentava ser a costumeira de sempre e que posteriormente desejei que assim tivesse sido, eu honrei a evolução e as calças que uso (ou não!, Vamos abrir para discussão). Lá eu estava, na frente do computador, como todo ser humano contemporâneo que estuda/trabalha e passa o tempo todo escravo dessa máquina, como de praxe estava em fóruns, ouvindo músicas que, pelo fato de terem fandoms de garotinhas me obrigam a omití-las (Ozzy também é fã se isso torna a situação menos vergonhosa) e jogando CSzinho (quem dera eu pudesse fazer tudo ao mesmo tempo), foi então que um vulto apareceu no canto da minha visão, pensei que fosse apenas uma consequência da minha má alimentação, criada através de anos de porcarias, ou que eu estava desmaiando de tédio, mas para a minha surpresa e azar o borrão era o ser mais durão da face da Terra (na minha escala, ser durão significa sobreviver a radioatividade), sim era uma barata, e quando meus olhos fixaram-se nela pude ouvir a trilha sonora de Dólar furado, senti-me como Clint Eastwood, mas na cena que acabara de se configurar o acuado era eu, então eu fiz uma comparação bem errada uma vez que Clint não temeria um mero inseto, fiquei lá parado encarando o ser por uns dois minutos (relembrando aqui que a loja é mais movimentada que bar nas manhãs de segunda-feira), enquanto eu encarava o mísero inseto, pensava nas possíveis reações e o que cada reação geraria, não queria chamar atenção de pessoas que estavam passando na frente da loja e ao ver um moleque gritando e tentando pisotear um barata assumissem que o moleque tava na verdade era dançando e cantando um hit da Taylor Swift, então após me sentir como o Raito Yagami por pensar analiticamente nos mínimos detalhes por longos três minutos, decidi agir - Imagine se um cliente resolvesse entrar? - Assim que eu defino o plano de pular em cima do bicho e acariciá-lo com a sola do meu chinelo, percebo que tudo vai por água abaixo, lá estava a barata subindo a parede a minha frente, em ritmo frenético (Provavelmente notou a minha ameaça), Enquanto subia, lá estava eu suando frio e gritando baixinho como uma menininha de oito anos e desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo e que eu estava dormindo em frente ao computador, o que pensei que fosse o caso quando fechei os olhos para fazer uma prece ao Deuses exterminadores e ao reabrir os olhos perceber que a barata tinha sumido, nunca vi nenhum tipo de Deus agir tão eficientemente, por isso achei que estava sonhando, ou então estava sendo convertido mesmo, mas descartei ambas as possibilidades quando vi que a barata estava no topo da parede (A parede é uma meia parede, ou seja ela não toca o teto, você provavelmente sabe o que é uma meia parede), Neste momento falei em voz alta as palavras de auto-controle: "FUDEU!!", a meia parede separa o canto do guerreiro trabalhador/navegador da interwebz do balcão da loja onde eu raramente atendo o povo, então se alguém decidir entrar na loja vai se deparar com a barata no lugar onde eu deveria estar, além de me amedrontar e me encurralar me deixar confundido e envergonhado, a inimiga da raça humana estava deturpando a minha vida, imaginei a barata entrando na faculdade no meu lugar, tendo filhos, trabalhando, tomando a vida que antes era minha, e então foi aí que eu tomei as rédeas da situação "Segura meu chinelo aí PORRA!", foi uma reação mal pensada, ao ver o chinelo voando percebi que acabei obrigando a barata a ir para o lado do cliente, só não imaginei que ela ainda fosse VOAR, enquanto ela batia suas asinhas e pairava até o chão, eu falava mais rápido que o Kakashi fazia os jutsus de mão, FUDEUFUDEUFUDEFUDEFUDEU, e então ela pousou graciosamente no chão, a sorte (ou azar) é que não havia ninguém (claro, a loja, parece o saara) e foi aí que eu honrei a raça humana, corri e pisei em cima do ser por um longo período, pensei se estava sendo ético por ficar em um pé só, forçando a barata contra o chão, mas logo me convenci que na verdade eu estava honrando a lei de Darwin, eu era o mais forte e eu venci pela raça humana, me vi com um sorriso de vitória, um sonoro hahaha ecoava pela loja, que foi interpretado como um sorriso de psicopata por um cliente que só agora decidiu aparecer, fingi que nada tinha acontecido, atendi o pobre coitado que queria uma capa para um celular whatever lixo, e varri o corpo do inimigo, sentei de volta à frente do computador e gritei eu VENCI!!
Ah, as situações cotidianas e suas adversidades. Você apresenta seu relato de forma interessante, bem ritmada. Gostei.
Cara, baratas são mesmo inconvenientes e extremamente habilidosas na arte da fuga e você encarou um exemplar bem temperamental, adepto do voou e afins.
Ah, e aposto que o que estava ouvindo era Taylor Swift, pelo simples fato de tê-la mencionado posteriormente e depois o "tio" Google ter dito que o Ozzy curtiu a mocinha em questão. hahahahha.